quarta-feira, 8 de julho de 2009

Versus

A casa era grande, mansão de bom-nome tinha sido, casa de burguesia abatida pela idade, apedrejada. Ali me encontrava, dentro daquela inóspita casa, comida pelo tempo, alvo de histórias macabras, casa despida, preenchida de reflexos negros, madeiras comidas e telhas partidas.

Meus passos ecoavam naquele lugar. Deambulei, investigando memórias, fazendo suposições sobre o que ali se teria passado.

Algo me cativa, um espelho, aquele espelho fixava-me, como se ganhasse vida o meu reflexo começou a mexer-se, eu comecei a mexer-me involutáriamente. Parecia que tinha invertido a lógica, eu agora seguia aquele espelho! A casa escurecia mais ainda, as paredes pareciam queimadas e eu seguia aquela imagem com um magneto tal.

- Fala comigo! (Gritei)

Sentindo esta manipulação doentia a chorar de nervos berrei outra vez.

- FALA COMIGO!!!

Aquela imagem não emitia qualquer som, apenas a seguia como se fosse eu o espelho. Resisti com todas as minhas forças, o espelho começou a ceder mas eu estava a ficar esgotado de tal esforço e num ápice tombei no chão. O meu reflexo manteve-se na mesma pose, mas parecia que tinha alguma dificuldade em manter-se de pé, reparei que este também de mim precisava.

Agora era ele que sentia raiva, olha para mim sorri e atirasse para o chão. Ali ficamos imóveis durante uns minutos, exausto respirei fundo e tentei erguer-me. Nada, olhei para o reflexo e ele mirava-me com um sorriso vitorioso. Em vão tentei, cai em mim e esperei por ele.

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