Rodeado gente, sinto um silêncio.Parece haver um barulho ensurdecedor, mas é silêncio que testemunho.Chegam-se ao pé de mim e falam. Não ouço. Apático e sem perceber, apenas aceno.Não produzindo nada, uso a mimica como resposta.
Penso para mim o som que aparenta haver e o porquê de estar invadido por tal silêncio. Aos poucos começo a perceber que não é de silêncio que se trata, mas sim o som do silêncio.
Estranho penso eu mais um vez, ouço este som em momentos a sós,no desvendar do sono, estarei a alucinar ou a ensurdecer?
E puff, adormeci.
Acordei num sitio que não reconhecia, deitado numa marquesa, parecia que tudo era coberto por tons de verde, como se me tivessem posto óculos com lentes verdes.Onde estou, perguntei sem me conseguir ouvir. Dou com a presença de alguém, não a reconhecia e carregava consigo uma bandeja. Chegou-se ao pé de mim, pousou-a e deixou a sala.Um prato com comida acompanhado por um manuscrito apresentavam a bandeja.Tentei cheirar a comida que não me emanava nenhum aroma, o aspecto era realmente fabuloso apesar da minha visão deturpada. Coloquei um pouco na boca.Ai percebi que não tinha paladar e cheiro, tinham ido sem dar conta, sem motivo. Assustado e perturbado li o papel que ainda se mantinha na bandeja, ao que este só dizia "Estás na merda".
Joguei a bandeja para o chão a chorar e em gritos mudos, rumei, corri para não sei onde, pensando no quê e no porquê do que me estava a acontecer.Sem paladar, cheiro, audição e uma visão deturpada esverdeada, continuava a correr. Nessa fuga para não sei onde à procura de não sei o quê sentia que o verde que cobria a minha visão se adensava, cada vez mais denso, mais espesso, como que uma persiana se fosse fechando aos poucos. Estou cansado, tão cansado.Dormente, tão dormente e tombo como se algo ou alguêm me tivesse retirado as forças.
Deitado ali no chão, imóvel, procuro o minimo sinal de luz e nada. Só encontro mais e mais verde, cada vez mais denso, cada vez mais escuro, até que se apagou de vez.
Não sabendo onde estava e porquê, sem sentidos, só tinha uma coisa, o meu pensamento que me tinha acompanhado sempre naquela jornada sem falha alguma. Pensei os comos e os porquês. Não foi preciso muito para perceber que estar a pensar era o que eu não queria, mas ali fiquei e me mantenho no escuro a pensar.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
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A isso chama-se conflito da mente... tudo o que está dentro da cabeça é confusão, escuro... com isso perdemos todos os sentidos físicos e deixamo-nos perder, nada tem significado, sabor, som, até forma visual... ficamos no silêncio e na escuridão a que nos destina a nossa mente, exilados do mundo exterior, do que nos rodeia...
ResponderEliminarPor mais pessoas, coisas, animais que nos rodeiem, sentimo-nos sozinhos, presos no inconsciente da nossa mente...
Gostei bastante deste texto... Continua a escrever o que te vai na mente...
Jinhux
Jeka